top of page

Milho

  • Foto do escritor: S&T
    S&T
  • 19 de abr. de 2025
  • 7 min de leitura
Zea mays

Milho crioulo lobão

O milho crioulo alaranjado lembra a pelagem do lobo guará, nativo do cerrado brasileiro. Esta variedade foi adquirida da fazenda Recanto do São Francisco, no estado de Minas Gerais. Os cultivares dessa fazenda foram passados de mão em mão, de comunidades indígenas ao fazendeiro e pesquisador Ernst Götsch, até se consolidarem como variedades de características próprias do sul mineiro. Na Agricultura Sintrópica, sob orientação de Götsch, o milho crioulo é usado em experimentos que visam aprimorar a produção de alimentos e ao mesmo tempo recuperar terrenos degradados e reflorestar áreas desmatadas.


Zea mays [Cusco]

Milho Cusco Branco gigante

Este milho é de origem peruana, mais especificamente da região de Cusco. Sendo uma das espécies mais exportadas pelo Peru, ela é embaixadora da diversidade de raças locais desse país andino. Considerando que “a primeira tarefa dos Incas ao conquistar novos territórios foi sempre construir obras de irrigação com o propósito específico de plantar milho”, e que Cusco foi a capital do Império, pode-se dizer que esse milho foi um pilar central dessa antiga civilização. Hoje, Cusco é um patrimônio mundial protegido, como “uma das mais antigas cidades continuamente habitadas do Hemisfério Ocidental”. Como o Milho Gigante de Cusco foi adaptado ao clima brasileiro, alguns exemplares dessas sementes foram doados ao Assentamento Mário Lago (do MST). As centenas de variedades de milho que temos hoje em dia são fruto da seleção genética iniciada por povos ameríndios há 10 mil anos no México. Seis milênios e meio atrás, a região sudoeste da Amazônia foi central nesse desenvolvimento genético. Ao acompanhar os fluxos migratórios de povos ameríndios, os milhos ganharam novas características, formas e cores. A partir da década de 80, cultivares crioulos do milho passaram a sofrer grande ameaça por conta da proliferação de sementes geneticamente modificadas. Essas sementes patenteadas pelo complexo agro-industrial tem forte apelo comercial e são plantadas em monocultivos altamente dependentes de agrotóxicos. Ao final de um ciclo monocultural, o que resta é um solo degradado e empobrecido, e uma área desertificada.


Zea mays [Huilcaparu]

Milho ancestral Huilcaparu

O milho Huilcaparu é ancestral e originário da região que hoje chamamos de Bolívia, em particular do Vale de Cochabamba. Seu valor para as civilizações milenares das Américas é claro, “a primeira tarefa dos incas ao conquistarem novos territórios sempre foi construir obras de irrigação com o propósito específico de plantar milho.” (Academia Nacional das Ciências - EUA - 1960) Essa espécie de milho foi apropriada nos anos 60 por universidades estadunidenses para pesquisas sobre mutações genéticas induzidas pela radiação. A paramutação, como conceito epigenético de indução de mudanças de DNA (em plantas, e depois em ratos), foi observada pela primeira vez em milhos, com sua habilidade de afetar as cores da semente. As centenas de variedades de milho que temos hoje em dia são fruto da seleção genética iniciada por povos ameríndios há 10 mil anos no México. Seis milênios e meio atrás, a região sudoeste da Amazônia foi central nesse desenvolvimento genético. Ao acompanhar os fluxos migratórios de povos ameríndios, os milhos ganharam novas características, formas e cores. A partir da década de 80, cultivares crioulos do milho passaram a sofrer grande ameaça por conta da proliferação de sementes geneticamente modificadas. Essas sementes patenteadas pelo complexo agro-industrial tem forte apelo comercial e são plantadas em monocultivos altamente dependentes de agrotóxicos. Ao final de um ciclo monocultural, o que resta é um solo degradado e empobrecido, e uma área desertificada.


Zea mays [Checche]

Milho Checche

O milho Cheeche é uma espécie ancestral andina que o projeto Seeds and Tales conseguiu introduzir em um sistema agroflorestal na região serrana do Estado do Rio de Janeiro, por meio do agricultor Léo Novaes. Até hoje, após milênios em cultivo domesticado, esse milho ainda é usado como moeda de troca. Quanto maior o grão, mais valioso ele é. Nos vales sagrados dos Incas, esse tipo de troca se chama chalasq’a, ou chalakuy, e a produção de cereais é uma ocupação significativa, especialmente para mulheres indígenas dos Andes. Infelizmente, essa cultura de troca ancestral e milenar, nos dias de hoje, pode ser contaminada pela economia moderna, e praticada de forma abusiva. Dinâmicas de poder que marginalizam povos indígenas podem interferir com a possibilidade de negociação de produtores tradicionais desses cereais.


Zea mays [Checche Colca]

Milho Checche Colca

A variedade de milho Checche tem origem nos Andes peruanos e foi doada para um projeto agroecológico na região serrana do Rio de Janeiro. Essa variedade foi reproduzida com sucesso pelo agricultor Léo Novaes, que se tornou guardião dessa linha genética de Zea mays. O Vale do Colca, no Peru, onde esse milho é ancestralmente cultivado, é habitado por descendentes do povo indígena Collagua, que preservam especies nativas e métodos milenares agriculturais. Os Aymara, a família étnica e linguística indígena da qual os Collaguas fazem parte, habitaram essa terra antes dos Incas e resistiram com o poder da adaptabilidade à transformação das eras.


Zea mays [Cancha Serrana]

Milho andino Cancha Serrana

Esse milho tem origem nos Andes peruanos e é cultivado no Brasil. Essa variedade foi adquirida do guardião de sementes chamado Thiago, e cedida ao agricultor Léo Novaes para que fosse reproduzido em um projeto de agricultura ecológica na região serrana do Rio de Janeiro. As centenas de variedades de milho que temos hoje em dia são fruto da seleção genética iniciada por povos ameríndios há 10 mil anos no México. Seis milênios e meio atrás, a região sudoeste da Amazônia foi central nesse desenvolvimento genético. Ao acompanhar os fluxos migratórios de povos ameríndios, os milhos ganharam novas características, formas e cores. Nos Andes peruanos, foram encontradas evidências milenares de que sementes seguem a migração humana. Os Incas, como pioneiros da domesticação de plantas e da agricultura, desenvolveram métodos únicos de cultivo de milho em contextos adversos de vales e altitudes. Assim, em seus vales sagrados, variedades resilientes e belas de milho começaram a se desenvolver.


Zea mays [Adriana Amarelo]

Milho Amarelo da Adriana

Essa variedade de milho foi cultivada pela Fazenda Recanto do São Francisco em Minas Gerais, homenageando a guardiã de sementes Adriana que trouxe esta variedade genética crioula para região. Uma variedade de sementes crioulas é nativa, livre de manipulações genéticas comerciais e desconhecida pelas tecnologias agroindustriais modernas. Hoje em dia, que as sementes se tornaram mercadorias patenteadas por empresas que desenvolvem sozinhas novas sequências de DNA de culturas, as sementes crioulas e pessoas protetoras são a vanguarda de um movimento que garante a sobrevivência da flora mundial, das suas origens e magnífica diversidade. As sementes patenteadas pelo complexo agroindustrial têm forte apelo comercial e são plantadas em monoculturas altamente dependentes de agrotóxicos. Ao final de um ciclo monocultural, o que resta é um solo degradado e empobrecido e, desde a década de 1980, o milho crioulo é um exemplo de cultivar que sofre com essa ameaça.


Zea mays [Adriana Roxo]

Milho Roxo da Adriana

Essa variedade de milho crioulo de cor roxa recebeu o nome de Adriana como forma de homenagear a guardiã de sementes que o trouxe para sua propriedade e o reproduziu. Ela foi adquirida da fazenda Recanto do São Francisco. Os cultivares dessa fazenda foram passados de mão em mão, de comunidades indígenas ao fazendeiro e pesquisador Ernst Götsch, até se consolidarem como variedades de características próprias do sul mineiro. Na Agricultura Sintrópica, sob orientação de Götsch, o milho crioulo é usado em experimentos que visam aprimorar a produção de alimentos e ao mesmo tempo recuperar terrenos degradados e reflorestar áreas desmatadas.


Zea mays [Bicudo]

Milho preto bicudo

Embora adaptado ao clima do centro-oeste brasileiro, esse milho é originário dos Andes peruanos, onde foram encontradas evidências milenares de que sementes seguem a migração humana. As centenas de variedades de milho que temos hoje em dia são fruto da seleção genética iniciada por povos ameríndios há 10 mil anos no México. Seis milênios e meio atrás, a região sudoeste da Amazônia foi central nesse desenvolvimento genético. Ao acompanhar os fluxos migratórios de povos ameríndios, os milhos ganharam novas características, formas e cores. Dada a relevância dessa planta como um dos principais alimentos da base alimentar dessas populações nativas, é comum a existência de ritos e mitos compartilhados que celebram sua importância e diversidade. O povo Ticuna, por exemplo, descreve o milho como isca para estadunidenses nos mitos das aventuras dos irmãos Yoi e Ipi. É interessante observar que, hoje, os Estados Unidos realmente são o maior consumidor de milho no mundo. A partir da década de 80, cultivares crioulos do milho passaram a sofrer grande ameaça por conta da proliferação de sementes geneticamente modificadas. Essas sementes patenteadas pelo complexo agro-industrial tem forte apelo comercial e são plantadas em monocultivos altamente dependentes de agrotóxicos. Ao final de um ciclo monocultural, o que resta é um solo degradado e empobrecido, e uma área desertificada.


Zea mays [Indurata]

Milho Maíz Morado

O milho maíz morado, também conhecido como milho roxo peruano, é o principal ingrediente da bebida típica peruana chicha morada. Essa bebida foi descrita por cientistas como tendo potencial para prevenir o câncer de cólon, e ela tem sido usada em cerimônias ancestrais espirituais por povos da antiguidade peruana. Hoje, há pelo menos 200 variedades de milho, que são frutos da seleção genética iniciada dez mil anos atrás no México, e desenvolvida por povos ameríndios desde então. Seis milênios e meio atrás, a região sudoeste da Amazônia foi central nesse desenvolvimento genético. Ao acompanhar os fluxos migratórios de povos ameríndios, os milhos ganharam novas características, formas e cores. Ao lado da abóbora e do feijão, o milho constitui uma das três culturas mesoamericanas denominadas as “Três Irmãs”, e são fundamentais para as antigas técnicas agrícolas indígenas americanas. Juntas, elas se complementam não apenas em crescimento e desenvolvimento, mas também em valor nutricional. Dada a relevância dessa planta como um dos principais alimentos da base alimentar dessas populações, é comum a existência de ritos e mitos compartilhados que celebram sua importância e diversidade. O povo Ticuna, por exemplo, descreve o milho como isca para americanos nos mitos das aventuras dos irmãos Yoi e Ipi. É interessante observar que hoje, os Estados Unidos realmente são o maior consumidor de milho no mundo. A partir da década de 80, cultivares crioulos do milho passaram a sofrer grande ameaça por conta da proliferação de sementes geneticamente modificadas. Essas sementes patenteadas pelo complexo agro-industrial têm forte apelo comercial e são plantadas em monocultivos altamente dependentes de agrotóxicos. Ao final de um ciclo monocultural, o que resta é um solo degradado e empobrecido, e uma área desertificada.

 
 
 

Posts recentes

Ver tudo

Comentários


©2024, Seeds and Tales.

Todos os direitos reservados.

bottom of page